quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Descaracterização da Pregação Cristã na Igreja Evangélica Brasileira

                                           Parte 1

O Fato de trabalhar em uma das maiores livrarias o Brasil no ramo evangélico, e o contato com os clientes me faz ver o quando tem sido descaracterizada a pregação Cristã, os tele evangelistas são outra forma que possuímos para avaliar como a igreja brasileira ver a pregação cristã. Muitos livros são produzidos sobre o assunto, no entanto, muitos deles não procuram corrigir os erros corriqueiros na visão de pregação cristã que a igreja brasileira possui, são às vezes muito técnicos, mas pouco bíblicos, é claro que existem bons livros, que pretendo deixar como referência no fim do artigo. Existem vários erros clássicos na igreja brasileira: achar que o simples fato do pregador abriu a Bíblia e começar a falar algumas verdades isso torna a pregação bíblica, um discurso moralista pode conter muitas verdades, mas mesmo assim não ser um sermão Bíblico, existe muitas verdades morais no espiritismo: o amor ao próximo, a caridade; no budismo: o controle da raiva, não roubar, ter uma conduta sexual respeitosa, não mentir, não caluniar ou difamar, tudo isso é verdade, se observarmos essa deve também ser a conduta de um cristão, entretanto, é fato que só porque alguém abre as Escritura Sagrada e fala algumas verdades não torna isso uma pregação cristã. Não é o quanto tem de verdade em um sermão que o torna bíblico, mas antes se estas verdades estão sendo extraída do texto lido, ou seja, o que torna uma mensagem bíblica é se as verdades ditas no sermão estão no texto base da pregação, ou de uma maneira mais clara se as verdades são ditas pelo texto lido. Porque se não esta lá em vez de esclarecer estará confundindo, isso porque, os ouvintes estarão ouvindo verdades que não estão no texto lido. Quando eu afirmo que o texto diz uma coisa na qual ele não diz, eu estou mentindo, seja por negligencia ou por manipulação para um fim desejado, isso é engano mesmo que possua verdades morais e até teológicas, se são enganosos é tudo menos um sermão bíblico. Assim nunca o povo provará o poder de uma mensagem bíblica um exemplo é a interpretação que fazem sobre a parábola do bom samaritano (Lc. 10. 25-37), dizem: o homem que vinha descendo pelo caminho de Jerusalém para Samaria representa Adão, e os salteadores que o derrubam e roubam-lhe tudo o que possuía representa a queda do homem no pecado, o levita e o sacerdote representavam a lei e os sacrifícios do Antigo Testamento que não podia fazer nada pelo homem caído, o bom samaritano representava Jesus, o vinho e o azeite que é colocado na ferida do homem caído representa o sangue aplicado aos pecados, ao levantar o homem isso representa o novo nascimento, ao colocar em cima do jumento esse é o evangelista, e levá-lo para a estalagem que é a igreja, o dono da estalagem representa o pastor, as duas moedas dadas ao dono da estalagem e o batismo e santa ceia, e o bom samaritano diz cuida dele até que eu volte representa a segunda vinda. Essa era uma interpretação da parábola que data da idade média, veja que ele não diz nada errado, a queda levou realmente tudo do homem, a lei do AT. não pode ajudar o homem caído, só Jesus com o seu sangue, perdoa e faz o homem nascer de novo, o batismo e a ceia são expressões desse fato e a igreja é o local onde esperamos a segunda vinda, mesmo tudo isso sendo verdade isso não constitui o sermão verdadeiro porque ele estava usando e afirmando verdades que a parábola não afirma, isso não pode ser chamado de pregação bíblica, existe verdades bíblicas, entretanto, não são certificadas no texto, ao dizermos que o texto diz algo que ele não diz estamos enganando, e mentindo seja por ignorância ou por querer torcer o texto para benefícios próprios. E serão responsáveis diante de Deus que irá cobrar dos tais que isso fazem. Tiago diz isso na sua carta 3.1 Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo, o juízo de Deus cairá sobre esse tais, e Pedro vai mais longe afirmando que eles fazem isso para sua própria destruição (2 Pe. 3.15-18; e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, 16 ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. 17 Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; 18 antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.) Existe um peso sobre os que são chamados para o ministério da pregação, seremos responsáveis por tudo que falamos dizendo ser palavra de Deus, ou por tudo que ensinamos de errado. Vemos que Pedro termina exortando os irmãos a fugir, não ouvir para que eles não caiam, nessas falácias por que isso não é pregação cristã. Outro engano é acharmos que um sermão é bíblico pela quantidade de citações de texto das Escrituras. Existe a possibilidade de um sermão ter citações bíblicas e não ser bíblico, isso porque posso usar uma cadeia de versículos para defender uma idéia não bíblica. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová para falar que Jesus não é Deus eles pode citar vários textos, contudo isso não torna a mensagem verdadeira, isso acontece porque eles torcem o texto tirando de seu contexto, assim podem dar qualquer interpretação ao texto. 

A segunda parte será sobre os efeitos desses sermões na igreja brasileira         
                                  

4 comentários:

  1. amem amado. concordo com vc. será muito interessante ver sobre os muitos (não só os do testemunho de jeova) falssos profetas.precisamos nós cristão termos bases fortes diante dessas investidas enganosas. obrigado. fique na bênção.

    atenciosamente,

    Tiago Henrique. Igreja Batista Apostólica Viva em Santa Casa, Paulista, PE.

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  3. Caro Ubirani,

    Graça e Paz!

    Amigo, você vai longe...

    Li sua postagem e gostei, contudo, há alguns comentários a serem efetuados. Entendo, que não houve muita felicidade na "generalização". Concordo, portanto, que os "Pregadores" da Palavra deveriam esmerar-se mais em suas mensagens. Por exemplo, tenho notícia de um Pastor Presbiteriano, amigo meu, que o Conselho Presbiteriano decidiu numa instância geral que seus líderes e pregadores deveriam, ao subir ao altar, esforçasse o máximo para a transmissão de um sermão expositivo, em detrimento, dos temáticos e textuais e ainda os (biográficos), como alguns defendem. Uma decisão coerente, ainda mais se observar-mos na ótica de que: um sermão expositivo reflete em um esforço maior de concentração do mensageiro, e sobretudo, que o indivíduo, conheça o que está falando. No começo do curso quando pensava no trabalho de conclusão, cojitei em minha mente a possibilidade de expôr algo desta natureza e assim seria o tema: A desqualificação educacional, cultural-religiosa de muitos de "nossos" assim denominados Pregadores Evangélicos. Acho que teria panos nas mangas para falar destes verdadeiros "animadores", entretanto, desfiz a idéia por perceber que não se TRATA DE UMA QUESTÃO GENERALIZADA, mas de concentração local na maioria dos casos, (Falo dos pregadores midiáticos, principalmente), mas voltando ao foco, como expressei no começo, discordo do generalismo descrito em seu artigo (APESAR DE SER GRANDE VERDADE), mas se olharmos para nossa realidade, iremos perceber que miutos mais muitos mesmos não tiveram formação teológica como estamos tendo oportunidade de ter (Falo agora da grande maioria, os pequenos, sobretudo, os pentecostais, que por vezes exageram em seus sermões e pregações. ISTO ESTÁ CADA VEZ MAIS MUDANDO), enfim, não tiveram oportunidades para desenvolver boa Exegese ou "nada de Exegese", mas estão aí "pregando" ou falando a Palavra, com o intuito de anunciar as boas novas, com a maior das intenções (TENHO CERTEZA), por esta razão, concordo haver de certa maneira negligência, mas não pecado deliberado como se fizesse desta maneira al seu bel prazer. Somente para se ter uma idéis: Ontem dia 15/11/2010, ví uma reportagem no SBT que dizia acerca de uma pesquisa em que foi constatado que mais de 76% dos brasileiros "alfabetizados" são ANALFABETOS INFORMAIS, ou seja, muitos não sabem ler e escrever corretamente, mesmo concluindo o antigo ensino médio. Imagine as classes evangélicas periféricas...
    ...como saberão de que se trata EXEGESE, HERMENÊUTICA, GREGO, HEBRAICO...
    Eu, você e outros, oremos para que este quadro se reverta e que a nova geração de PREGADORES que "somos nós", venhamos fazer a diferênça.
    Deus te abençôe, continue escrevendo...

    ...como disse: você vai longe!

    Deus te abençoe,

    André Rodrigues, seu servo, servo de seu servo e servo de Seu Senhor!

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  4. Na continuidade do meu artigo mostrarei o porque da minha generalização meu querido andre.

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